No verão de Salvador não faltam opções de festas e shows. Empolgadas com estes eventos, as pessoas muitas vezes não se dão conta de que podem vir a ter problemas de audição, devido à exposição a altos níveis de pressão sonora por um longo período de tempo. Durante o Carnaval, os cuidados devem ser redobrados, alerta a otorrinolaringologista do Centro Médico da Apae Salvador, Ana Maria Moinhos Nogueira. “Em média os sons dos trios elétricos variam entre 110 e 120 decibéis (db), muito além do que o ouvido humano suporta, permitindo, desta forma, uma exposição máxima de apenas 15 minutos, para que não haja lesão nas células do ouvido”,explica.
Segundo a médica, após o Carnaval é comum aumentar o número de pacientes nos consultórios médicos com os sintomas da perda auditiva. “Dependendo do tempo de exposição e da susceptibilidade de cada indivíduo, a alta sonoridade pode levar a uma perda auditiva temporária, ou até mesmo definitiva”, alerta. De acordo com a médica, 90% dos casos de diminuição da audição são reversíveis e podem ser ajudados através de tratamento médico-cirúrgico ou aparelho de audição.
A médica chama atenção principalmente para os profissionais que trabalham no Carnaval, como os cordeiros, músicos e pessoal de apoio. O ideal, diz a médica, é que estas pessoas trabalhem com protetores auriculares. Já aos foliões, aconselha Ana Maria, devem circular nos blocos ou na avenida e não ficar muito tempo próximo do carro de som. O volume máximo tolerável para os ouvidos humanos é de 85 db, num período de oito horas.
Os principais prejuízos pela alta exposição sonora são: perda auditiva, zumbido, sensação de ouvido tampado, tontura, dificuldades para entender palavras do dia a dia, dificuldade de concentração e, no caso de criança, baixo rendimento escolar. Além disso, as pessoas podem ainda ter outras conseqüências com alterações orgânicas, como nervosismo, elevação da pressão sangüínea, irritabilidade, náuseas, sudoreses e até mesmo o estresse.
Para brincar de maneira saudável a médica aconselha não ficar por muito tempo em locais de som muito intenso, como palcos e trios elétricos. Após o Carnaval, o folião que apresentar dificuldade para compreender o que os outros falam, só conseguir ouvir rádio e televisão com volumes relativamente altos deve visitar um médico otorrinolaringologista para fazer uma avaliação auditiva e iniciar o tratamento.