A Opaxorô Cia de Dança e Percussão, formada por alunos e aprendizes da Apae Salvador, estreou no dia 28 de janeiro, no Teatro dos Correios, na Pituba, o espetáculo Orquestra de Atabaques. A montagem, que reúne música e dança, tem como proposta cênica apresentar os aspectos sagrado e profano do atabaque, enfatizando a beleza da mitologia africana presente na cultura baiana. O espetáculo tem o patrocínio da Fundação Cultural Palmares.
O elenco é formado por 45 integrantes entre dançarinos e músicos, que se dividem nos 12 atos do espetáculo de uma hora de duração. No palco, a Cia faz um Xirê (evocação) que vai de Exu a Oxalá, com músicas populares, reverenciando as divindades africanas. As canções são acompanhadas por instrumentos de corda, a exemplo do violoncelo, que, em harmonia com a percussão dos atabaques, conferem ritmo à apresentação.
O espetáculo Orquestra de Atabaques é uma apresentação envolvente que une o sagrado e o profano em torno do atabaque, como explica o diretor musical da montagem, Ubiratan Assis. “O espetáculo tem como proposta cênica a valorização da cultura afro-brasileira, tendo o atabaque como foco central, que é um instrumento percussivo rico em sonoridade e elemento sagrado dos rituais litúrgicos do candomblé”, acrescenta Assis.
Para compor o repertório, o diretor musical conta que foram pesquisadas canções relacionadas ao culto dos orixás. Ao todo foram selecionadas 20 músicas populares, que contam as lendárias histórias de Exu, Ossaim, Oxumaré, Logun Edé e Nana, tendo como principal acompanhamento instrumental o atabaque. As cerimônias litúrgicas do candomblé são acompanhadas por três tipos de atabaques: Rum, Rumpi e Lê. Este conjunto sonoro é essencial para a evocação dos orixás. Os toques repicados pelos atabaques identificam a nação das casas de candomblé e dão o compasso para as danças das divindades africanas. Uma variação dos tambores encontrados nas escavações em sítios arqueológicos do continente africano, os atabaques começaram a ser confeccionados há 6 mil anos a.C.
A COMPANHIA – A Cia Opaxorô é o único grupo formado por pessoas com deficiência mental que possui registro profissional concedido pela Delegacia Regional do Trabalho (DRT:BA). Fruto do trabalho artístico desenvolvido na Apae Salvador ao longo desses 40 anos, o grupo tem em seu currículo grandes espetáculos que mesclam o uso da dança e da música, entre eles, Bahia Cantos e Encantos, Contando Histórias e Filhos da Bahia. A Opaxorô atua sob a ótica inclusiva, cuja formação integra jovens com deficiência mental e outros oriundos da comunidade atendidos pelo Projeto Arte Viva, que desenvolve oficinas de arte-educação.
A partir de 2005, a Apae Salvador em parceria com o Ministério da Cultura, passou a integrar a rede de Pontos de Cultura do Estado da Bahia, onde está instalado o Ponto de Cultura Arte Viva. Lá são desenvolvidas cinco oficinas: Dança, Música/Percussão, Teatro, Artes Visuais e Vídeo. Os resultados alcançados com os trabalhos artísticos fizeram a Apae criar um grupo fixo que pudesse divulgar a Instituição, bem como, demonstrar o talento dos seus integrantes. Desde 2001, a companhia passou a reunir nos seus quadros pessoas sem nenhum tipo de deficiência, oriundos da comunidade.