O Dia Internacional da Síndrome de Down (21/03) é uma oportunidade para chamar a sociedade à uma reflexão sobre a necessidade de acolher, conhecer e compreender as características específicas das pessoas com a Síndrome de Down (SD), bem como de divulgar e ampliar os atendimentos que possam proporcionar-lhes melhor qualidade de vida. Segundo a médica Geneticista da Apae Salvador, Helena Pimentel, é possível afirmar que existe uma tendência de aumento da expectativa de vida dessas pessoas, apesar de o Brasil não ter dados estatísticos.
A médica explica que o atendimento médico desde o nascimento, a prevenção com uso de antibióticos e terapias, são fatores que tem contribuído para que a pessoa com Síndrome de Down no Brasil tenha uma expectativa de vida praticamente igual às pessoas ditas normais. Atualmente o nível de expectativa de vida dos brasileiros segundo o IBGE é de 73,1 anos. Até o início do século XX portador do Síndrome de Down não passava dos 18 anos, a Apae Salvador tem um colaborador, Silvio Diamantino, com 67 anos de idade em plena atividade profissional atuando como Contínuo.
Devido a melhoria na qualidade de vida é cada vez mais comum ver pessoas com SD, freqüentando os espaços públicos, participando dos mais variados eventos sociais: muitas estudam, vão às festas, namoram, participam de atividades comunitárias. Um número cada vez maior de pessoas com SD trabalha; algumas até moram sozinhas. O que mostra que a deficiência intelectual, característica marcante na SD, não impossibilita uma vida social e cidadã.
A pedagoga do Atendimento Especializado da Apae Salvador, Ana Beatriz acredita que os progressos rumo à independência e autonomia da pessoa com Síndrome de Down demonstram o avanço na aceitação das diferenças. “Seja através de leis que assegurem os seus direitos ou por meio da conscientização crescente e convivência com a pessoa com Síndrome de Down ou qualquer outra deficiência a população aprende que ser diferente é normal”, ressalta.
Outro ponto de destaque é a escolarização formal, cada dia mais, os alunos com deficiência intelectual estão ingressando nas escolas comuns da rede regular de ensino. “É o processo de inclusão escolar acontecendo, com todas as novidades, dúvidas e receios típicos de toda mudança”, comenta Ana Beatriz.
A Apae Salvador por meio do seu Centro Educacional Especializado (Ceduc) criou o Programa de Apoio à Inclusão Escolar afim de apoiar as escolas regulares no processo de inclusão da pessoa com deficiência intelectual.
Conheça os projetos educacionais e profissionalizantes desenvolvidos pela Apae Salvador:
Programa de Apoio à Inclusão Escolar
É uma iniciativa do Centro Educacional Especializado (Cedc) que, desde 2006, busca firmar com as escolas que têm alunos da Instituição matriculados em suas classes uma relação de parceria. A partir de um levantamento de demanda, as escolas parceiras, como são chamadas, recebem periodicamente convites para eventos programados especialmente para atender às suas necessidades. São oficinas pedagógicas, seminários e workshops, nos quais gestores e professores socializam experiências, discutem temas significativos e trabalham com recursos e estratégias para desenvolver uma prática pedagógica que atenda à diversidade. Parte das escolas parceiras é contemplada com encontros de capacitação em serviço, além de oficinas com os próprios alunos para mobilização e sensibilização; são ações diversificadas, mas com um mesmo propósito: envolver e subsidiar os membros da comunidade escolar para lidar com as diferenças, construindo uma cultura inclusiva e favorecendo a aprendizagem do aluno com deficiência intelectual.
Atendimento Educacional Especializado
O Atendimento Educacional Especializado é voltado aos alunos da Apae que estudam na escola comum. Três vezes por semana, estes alunos participam, organizados em grupos de oficinas de: expressão corporal, artística e cultural; informática educativa; oficina do brincar; atividades da vida autônoma e social; artes visuais; jogos e pensamento lógico; comunicação e linguagem. Além dos atendimentos interdisciplinares de fonoaudiologia, odontologia, neuropediatria, psicologia, pediatria e terapia ocupacional. A programação dos grupos depende do perfil e das necessidades educacionais especiais dos mesmos. Todo o trabalho é acompanhado e avaliado periodicamente, buscando, de fato, ser complementar à escola comum, desenvolvendo habilidades e competências essenciais à aprendizagem dos conteúdos escolares.
Projeto Aprendizagem para a Vida
Pensando também naqueles que ainda não estão inseridos nas classes comuns da rede regular de ensino, a Apae Salvador implementou o Projeto Aprendizagem para a Vida. Neste projeto, destaca-se a busca de estratégias que favoreçam, sobretudo, o desenvolvimento da autonomia dos alunos, para que desenvolvam suas aptidões e sintam-se úteis e produtivos na vida familiar e social. O Centro Educacional Especializado (Ceduc) acredita nas possibilidades de aprendizagem destas crianças e jovens, e incentiva sua inclusão na escola comum, reconhecendo o papel soberano da família nesta decisão.
Projeto de Intervenção Pedagógica
Tendo identificado uma demanda de alunos com comprometimento significativo nas funções adaptativas e dificuldades acentuadas de acompanhar o processo educacional, foi criado o Projeto de Intervenção Pedagógica. Assim, crianças e adolescentes que apresentavam grandes dificuldades em lidar com o outro e com o objeto de aprendizagem, passaram a ser atendidos pelo projeto. Com metodologia específica e diferenciada e suporte dos atendimentos interdisciplinares, as funções cognitivas, afetivas e sócioadaptativas.
Toda a estrutura e dinâmica de funcionamento do CEDUC reflete o forte compromisso da Apae Salvador em contribuir para o pleno desenvolvimento da pessoa com deficiência intelectual. Além do atendimento educacional, a pessoa com Síndrome de Down, assim como qualquer pessoa com deficiência intelectual, encontra na Apae Salvador um conjunto de atendimentos especializados nas áreas de saúde e assistência social. A pessoa atendida pela Apae encontra, assim, condições favoráveis ao seu crescimento e desenvolvimento, à escolarização, ao ingresso no mercado de trabalho e, em última instância, à qualidade de vida, com participação ativa e consciente na sociedade.