Como flores que desabrocham e embelezam os nossos jardins, 26 aprendizes do Centro de Formação e Acompanhamento Profissional (Cefap) da Apae Salvador realizaram na tarde de 31 de outubro o Seminário: Quem somos?! O que fazemos e o que queremos, no auditório da Instituição. A iniciativa inédita possibilitou aos jovens falarem sobre suas atividades diárias e como enxergam o mundo. O evento contou ainda com a presença do professor e apresentador do programa Aprovado, Jorge Portugal, que atuou como mestre de cerimônia.
A rosa foi a marca escolhida como símbolo do evento para representar toda a beleza e sensibilidade dos aprendizes. O auditório ficou repleto. Na platéia estavam familiares dos aprendizes, professores, colaboradores, o presidente da Apae Salvador Derval Evangelista, a superintendente Ilka Carvalho e a gerente do Cefap Tânia Brandão, que foram conferir de perto o trabalho.
Mesmo com a agenda apertada devido a gravação do programa Aprovado, o professor Jorge Portugal fez questão de participar do evento, e disse que naquele momento a sua condição era a de aluno. “Na condição de professor eu hoje estou aqui como um aprendiz, com todas as letras. Quero absorver as lições que eles irão passar”, comentou. Portugal falou ainda que conhecia o trabalho das Apaes, a partir de relatos de amigos, que trabalham em uma unidade em Jequié, e mostrou-se entusiasmado em participar do evento. “É sempre bom dar voz e vez as pessoas com qualidades especiais, como estes jovens, pois dessa forma a Apae trabalha, preparando um mundo melhor”, afirma Portugal.
Quem também esteve presente ao evento foi o assessor especial da Secretaria de Educação do Município, Normando Batista, que representou o secretário Ney Campello. Batista salientou que os deficientes precisam de oportunidade para serem cidadãos e esta ação da Apae garante-lhes este direito. “A cidadania plena só poderá acontecer quando essas pessoas tiverem oportunidade de dizer o que quiserem, e as instituições têm que oferecer essa oportunidade para eles serem cidadãos em sua plenitude”, explica.
Uma das atrações dos seminários foi o grupo Arte em Movimento, formado por mães de alunos e aprendizes. Elas apresentaram a coreografia Todas as Cores, ensaiada pelo instrutor de dança Ademilton, ex-aluno da Instituição.
As palestras
A timidez inicial não foi motivo para os aprendizes deixarem de dar o seu recado. Em suas palestras, eles relataram as suas atividades diárias, como os cursos que já participaram no Centro de Formação e Acompanhamento Profissional (Cefap), e as tarefas que cumprem em casa.
A autodefensora Rosileny Brito dos Santos, aprendiz eleita pelos colegas para representá-los junto à diretoria administrativa, fez questão de reafirmar as suas propostas para ajudar na melhoria da qualidade de vida dos seus colegas deficientes. “Eu vou trabalhar para que todos tenham direito à carteira de passe e sejam respeitados”, garantiu.
Para a coordenadora do seminário Rosália Santos, esta foi uma oportunidade dos alunos expressarem os seus sentimentos, já que sempre esta é uma função que, na maioria das vezes, é desempenhada por outras pessoas. “Eles estão se preparando para este momento desde o início do ano. E o que nós queríamos e conseguimos foi proporcionar este espaço para que eles pudessem utilizar a oralidade e serem sujeitos de direito”, conclui.