A TARDE – 22/08/2007
Apae promove reflexão na semana do excepcional
FERNANDA SANTA ROSA
santarosa@grupoatarde.com.br
Começou ontem e vai até a próxima terça-feira a Semana Nacional do Excepcional, promovida pela Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae). Na programação, palestras e atividades com o objetivo de conscientizar a população para os problemas enfrentados pelos portadores de deficiência mental.
A instituição filantrópica comemora ainda os 15 anos do Serviço de Referência em Triagem Neonatal (SRTN), com a marca de 1,5 milhão de crianças que fizeram o teste do pezinho em todo o Estado. Com o exame, que é gratuito e pode ser realizado em qualquer posto de saúde, é possível prevenir e tratar doenças causadoras do retardo mental.
O teste deve ser feito na primeira semana de vida do bebê, e, caso detectada a doença, o tratamento é feito gratuitamente na Apae em Salvador. O diagnóstico positivo e tratamento já foi conferido a 1.616 crianças. “Quando doença é detectada a tempo, é possível evitar a deficiência mental em quase 100% dos casos, mas acompanhamento dura a vida inteira”, explica a médica geneticista Helena Pimentel.
Dentre as enfermidades identificadas no teste, estão o hipotireoidismo congênito, uma disfunção da glândula tireóide, e a fenilcetonúria, em que a criança tem dificuldade de metabolizar um aminoácido presente no leite materno, na carne e no frango. No segundo caso, o tratamento é feito com dieta. O teste é usado também para identificar a anemia falciforme, que não provoca deficiência mental, mas traz problemas clínicos, como infecções muitas vezes fatais em crianças de até 5 anos de idade.
INCLUSÃO – Além da prevenção, a Semana do Excepcional vem chamando atenção para a inclusão social dos portadores de deficiência.
A superintendente da Apae, Ilka Carvalho, lembra que, desde a década de 90, a legislação protege este grupo de pessoas, garantindo cotas no quadro funcional das empresas e o direito de ingressar em escolas regulares.
“Mas o avanço é gradual”, ressalta a administradora.
Como parte das ações, a Apae promoveu, ontem, a eleição de dois dos alunos para compor o quadro da diretoria. “Como eles aprendem a se posicionar como cidadãos, nada mais natural que serem incluídos na direção para tratar de suas necessidades”, completa Ilka. Para uma das eleitas, Rosilene dos Santos, de 28 anos, a inclusão verdadeira é feita por mérito e não pela lei: “Não queremos ser admitidos por cotas, mas pelo reconhecimento da nossa capacidade”.
A reclamação da aluna é uma lição que o auxiliar de limpeza Rogério da Silva, 23 anos, ensina todos os dias no seu ambiente de trabalho, no Hotel Ibis, Rio Vermelho.
Portador de deficiência mental, ele estuda, trabalha e tem uma vida independente. “Vou para escola e para o trabalho de ônibus e sozinho. Tenho três irmãos, mas sou o único empregado.
Todo mundo me respeita”, diz, orgulhoso.
Para o gerente do Hotel Ibis, Oswaldo Marchini, que aposta na contração de pessoas especiais como Rogério, há vantagens para ambos os lados. “São pessoas que agregam valor a qualquer empresa, porque são prestativas e fiéis a tudo que fazem, além de serem alegres”, conclui. Quem quiser conferir a programação da Semana do Excepcional, pode acessar www. apaesalvador. org.br